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Blog - O caixa é o Rei

Artigo originalmente publicado pela sócia da 4trader Investimentos, Gabriele Gottwald, no site futuri9.

08/09/2018

O caixa é o Rei

Winston Churchill em uma de suas célebres frases afirma que “a sorte não existe, aquilo que chamas de sorte é o cuidado com os pormenores”. E é pela falta de cuidados com os pormenores financeiros que muitos empreendedores deixam de ter sucesso.  

Segundo pesquisa, de cada 10 reclamações de empreendedores, 9 são relacionadas aos problemas financeiros. Empreendedores enfrentam vários desafios financeiros que “impactam” na lucratividade e na sobrevivência a longo prazo. Ter ciência e acompanhar de perto estes desafios ajudam os empreendedores a sobreviverem principalmente em tempos de baixo crescimento econômico e considerável volatilidade do mercado, como o Brasil está vivenciando este ano

O primeiro e principal desafio de um empreendedor é ter um bom e detalhado planejamento financeiro. Esta ferramenta permite estimar a necessidade de capital para financiar, antecipar o fluxo de caixa, o capital de giro, estimativas de custos recorrentes, custos para iniciar negócio e o valor que é necessário investir para executar as estratégias de crescimento.

O que vejo como um dos principais desafios financeiros para empresas é a manutenção de um fluxo de caixa positivo, especialmente as de pequeno porte que se deparam com custos para obtenção de crédito muitas vezes mais elevados do que os oferecidos às grandes. Muitas vezes os empreendedores estão tão engajados no crescimento, em gerar vendas e aumentar a sua base de clientes que deixam de lado o gerenciamento do fluxo de caixa.  E com o crescimento do negócio, de sua folha de pagamento, dos faturamentos e das despesas, fica cada vez mais difícil gerenciar o fluxo de caixa, sendo essencial criar processos corretos e implementá-los para garantir liquidez.

Mas afinal, o que é fluxo de caixa? Caixa é quantidade de dinheiro que a empresa tem em certo período de tempo. A conta é simples. Subtraia as saídas de caixa das entradas durante um dado período de tempo (tipicamente se considera período de um mês).

Através do fluxo de caixa, é possível identificar até que ponto a estrutura da empresa tem disponibilidade financeira para assegurar as suas responsabilidades, cumprir as suas obrigações mensais e manter-se em funcionamento.

O fluxo de caixa não é uma medida estática e sofre alterações sempre que, por exemplo, a empresa vender mais produtos ou serviços, reduzir os custos, vender ativos, aumentar os preços dos produtos, investir mais capital próprio ou pedir um empréstimo ao banco.

O mapeamento do fluxo de caixa vai ainda permitir antecipar situações graves de liquidez que podem comprometer o futuro da empresa. É importante ter em atenção que um fluxo de caixa elevado não significa automaticamente maiores lucros para a empresa. Assim como o aumento dos lucros de uma organização não significa que a empresa tem um fluxo de caixa elevado. O fato de a empresa estar vendendo muito bem não significa que ela está indo bem se tem muitos pagamentos pela frente e não tem dinheiro na mão.

Existem soluções para um fluxo de caixa positivo e saudável. Alguns deles:

  • Começar com uma projeção bem acurada e delineada é tão importante quanto o Plano de Negócio. É preciso entender que projetar um fluxo de caixa não é simplesmente vislumbrar o futuro com alguns números. Deve-se projetar de maneira eficaz as entradas e saídas previstas junto com as possíveis compras antecipadas e despesas futuras mensuradas mensalmente. É monitorar os fluxos atuais e comparar com as projeções todo mês para evidenciar as flutuações e os ciclos. Consegue-se assim revisar as projeções e promover ações cabíveis para manter um fluxo de caixa saudável.
  • Outro passo importante é gerenciar o gap no tempo que a empresa tem para pagar seus fornecedores e colaboradores e o tempo que a empresa recebe de seus clientes, logo, gerir para melhorar os recebíveis e estender os pagamentos. O ideal é receber o mais rápido possível mesmo que precise oferecer pequenos descontos. Uma maneira de fazer isso é através de pagamentos digitais e automáticos. Hoje com advento do Online e Mobile Banking, o atraso de pagamentos é muitas vezes evitado. Muitos clientes gostam destas opções de pagamento automáticas e digitais, pois os poupa de lembrar-se de pagar as contas e de se locomover. 
  • Outra forma que favorece o gerenciamento é ter um sistema de faturamento eletrônico. Enviar prontamente a fatura e acompanhar em subsequência se os pagamentos estão atrasados faz com que os mesmos sejam mais eficazes. 
  • Para sobreviver às crises e aos ciclos de altas e baixas no caixa, criar um plano de contingência, um “colchão” é fundamental. Considerar diferentes cenários (pessimista, realista e otimista) para quantificar o “colchão” traz mais segurança para enfrentar o impacto de cada um destes cenários. Tais flutuações podem ser originadas por uma gama de fatores tais como variações sazonais e situação econômica do país e na grande maioria destes fatores não se tem o controle.

Portanto, em ciclos positivos, separar e investir em ativos de liquidez é uma forma mais sensata e saudável.

Manter um fluxo de caixa positivo e liquidez deve ser uma das principais prioridades mesmo antes e sempre depois de iniciar o negócio. É fundamental poder cobrir todas as dívidas e obrigações até o momento de começar a lucrar e sustentar as operações de curto prazo. Principalmente para startups nos primeiros estágios quando não tem ainda uma base de clientes estabilizada.

O grande segredo para os empreendedores terem sucesso em seu planejamento financeiro é mapear todo o futuro financeiro de forma inteligente e equilibrada lembrando sempre que o CAIXA é o REI!

 

Gabriele Gottwald

SÓCIA FUNDADORA DA 4TRADER INVESTIMENTOS

GABRIELE GOTTWALD Sócia fundadora da 4Trader Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos e da 4Trader Educação. Graduada em Engenharia de Alimentos pela UFSC e Administradora de Empresas pela ESAG, mestrado em Engenharia de Produção/UFSC. Consultora em processo industrial e professora universitária, atua há quatro anos no mercado de capitais. Assessora de Investimentos registrada na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
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